"A ORDEM DO LORDE FEROZ" Comentários (14)
20/09/2010

é atirar pra matar
quem se movimentar
in London’s streets
com o cenho franzido,
com a barba por fazer,
com o bigode comprido,
com pressa de chegar
ou quem anda devagar,
quem come quieto.
De qualquer modo
estamos entrincheirados.
É mirar à queima-roupa
no cangote de quem reza
com a bunda virada pra cima;
se não rezar ainda melhor,
menos peso na consciência.

O lorde não quer descontentes
dentro da Câmara dos Lordes;
prefere confinamentos
na Câmara (mortuária) dos Comuns.
Acha que um tiro na perna
não basta pra imobilizar
e fazer interrogatório;
prefere oito na nuca
pra nunca mais levantar.

Mate quem tem medo
e quem tem coragem demais;
cale com bala
quem grita palavras de ordem
e mate quem tá calado
porque esse também é suspeito
até prova em contrário.
Porque é melhor o suspeito
em decúbito prono no asfalto
do que a prova em contrário
correndo solta por aí.



Essa é a ordem do lorde
covarde, feroz, encurralado
por suas próprias bravatas
ocultas no sangue inocente
de soldados descerebrados
nas areias do deserto.
No deserto perambula
a astúcia covarde do lorde
acuado no Parlamento
debaixo da saia da rainha.

Se correr o lorde pega,
se ficar o lorde come,
com ganas de curto circuito,
o anônimo tupiniquim,
o doce e alegre mineiro
de doce suor eletricista
que pensava juntar dinheiro
e voltar pra sua mãe
e tocar a plantação
de esperança café com leite,
de sonho tutu de feijão.

Execute quem olha pra trás
e quem segue em frente confiante:
o lorde não quer desconfiança
nem confiança demais.
O lorde não gosta de quem
planeja e fuzila por trás.
Por trás só ele e seu séquito
é que podem fuzilar.

O ar de altaneiro bretão
que escorre dos lábios do lorde
é garantia de impunidade.
Quem é igual sobranceiro,
diz o lorde, que seja o primeiro
a ser mandado de castigo
pras forças de coalizão
até feder estorricado
nas poeiras de Bagdá.
Queira ou não, fique por lá
até que exploda o derradeiro vagão
dos metrôs do Reino Unido.



Enquanto houver brasileiro
ou latino-africano que seja
circulando em London’s streets,
tem o lorde diligente
material suficiente
para dar demonstração
do cuidado pelo Reino,
do zelo pela nação.
Se for o lorde acusado
por inglês aristocrata
de ter-se descuidado
do cuidado aos magnatas,
de ter arrefecido
no combate ao terrorismo,
o lorde manda a polícia
marcar um brasileiro
trabalhador de dia inteiro
e persegui-lo como suspeito,
domá-lo de qualquer jeito
e desferir-lhe um golpe
certeiro no peito.
Depois o lorde manda
divulgar pelas paredes
cartazes anunciando:
Oh, patrícios queridos,
outro suspeito banido,
estamos vencendo a guerra
contra a ameaça do terror.

E se acaso o diplomata,
compatriota do morto, chiar,
o lorde manda se desculpar
e quem saber até doar
uma libra de indenização.

O lorde só morde
passivos tupis
e foge do acorde
das brandas exéquias
do afeto plebeu
no sol do Brasil.
O lorde é tão frio,
tem sangue de anil,
de conde bretão.
O lorde sacode
seu ombro em desdém;
chanceler diz amém,
e diz que só pode
pros pais de um pobre
barganhar um vintém
dos cofres do lorde.

Já antes de Blair
o inglês extinguia
o povo gentio
por curto pavio.
A Dama usurpava
as Ilhas Malvinas
com ferro nas mãos,
e o poder da Marinha
pra inimigo portenho.
Mas hoje não importa
de que porta ele vem
nem que língua ele fala;
recebe da Guarda
Imperial
afago de bala.

O lorde horroroso,
é tio do terror
e amigo de Sam
que rufa o tambor
do santo poder
anticristo da dor.

Transpõe além-mar
nosso embaixador
pra baixar as orelhas
e dizer “sim, Senhor”
à indenização
e culpar só Sadam
como príncipe do horror,
persona non grata
que pisa e maltrata.
a catrefa britânica,
ianque e espanhola,
com requinte nazista
a la Mussolini
nas terras de Alah.

Enquanto de cá
não saírem quietinhos,
mais brasileirinhos
dos cantos e quantos
e quantos e tantos,
latino-africanos
vão executar?

Ao sórdido lorde
com l minúsculo
não curvo minha crista.
Me mate ou torture
se fores capaz;
me engasgo no sangue
do jovem mineiro
do meigo rapaz,
que em versos de raiva
estou por inteiro.
Que falta me faz
um amigo estrangeiro
para junto comigo
tomar de assalto
as cadeiras de Oxford
e ensinar verdadeiras lições
de anti-terrorismo
pro arrogante lorde.


Oh, dear lord:
we hate you!
porque estás plantando
minas no teu próprio chão
e ruínas em nosso coração.

Autor: (demerval – 25/07/2005) 
 

 
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